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Mobiliário infantil: confira o que é importante na hora da procura

Escolher os móveis certos é chave importante para compor espaços que estimulam o aprendizado e beneficiam o bem-estar das crianças. Veja algumas dicas.

Quem está esperando – ou pretende esperar em breve – por um novo integrante na família já está cansado de saber dos cuidados necessários para recebê-las com segurança. Quem tem criança em casa, precisa de telas nas janelas, protetores de silicone nas pontas dos móveis e protetores de tomada, por exemplo. Nesse post, vamos deixar esses clichês de lado e focar em uma parte que também é rodeada de muitos padrões: o mobiliário.

Quando as mamães e os papais estão em busca dos móveis perfeitos para criar o quarto dos pequenos, o que vem a mente são mobiliários cheios de cores, muitos brinquedos e papéis de parede com desenhos de ursinhos ou de algum personagem da animação infantil da moda. Aqui vai um desafio: seu olhar está mais voltado para a estética e composição do quarto ou preocupado com a forma como aquele ambiente pode impactar o desenvolvimento da criança?

É preciso ter em mente que a infância é um momento de descobertas para todas as pessoas, seja sobre si mesma e as capacidades de seu próprio corpo, seja sobre o mundo ao seu redor e a maneira como sua criatividade e personalidade são impactadas por ele. É por esse motivo que as prioridades dos pequenos vão além das cores e das estampas, mas sobre como adaptar espaços para que seja possível aprender e se desenvolver. E isso da maneira que sabem fazer como ninguém: brincando.

Seja de primeira viagem ou não, é fundamental que papais e mamães mundo afora incentivem ao máximo esse processo, porque os benefícios impactam a vida toda. Não sabe como? A gente te mostra algumas digas simples dadas por profissionais especialistas em mobiliário infantil.

Para nos ajudar, conversamos com a arquiteta Camila Bianchi, à frente da marcenaria Maria Joaquina, e com Cezar Augusto Silvino Figueredo, o designer por trás do banco de colorir da Ventina Design.

 

Linguagem autoral que faz sentido no contexto infantil

Foi durante a primeira gravidez que Camila começou a desenhar móveis voltados para crianças. O impulso foi o fato de ela mesma não ter encontrado nada que pudesse ser realmente interessante para o filho, Gael. “Nada era muito lúdico. Tudo era rosa, azul ou branco. O desenho era limitado e o preço era exorbitante”, diz. Naquela época, trabalhava há oito anos com marcenaria tradicional e decidiu se virar a esse segmento com linguagem autoral e diferenciada. Quando viu, uma linha inteira já estava pronta – hoje, o número subiu para 45.

Além dos pés bandeiras, grande inspiração para o trabalho de Camila e que ela mesma resgatou de sua própria infância, o design da Maria Joaquina é lembrado por sua estética imaginativa e irreverente. Essa tal linguagem autoral se propõe a entrar no universo da criança de maneira que ela se sinta confortável e representada naquele mobiliário. As camas da marcam ganham casinhas na cabeceira, o design das prateleiras foge dos grafismos lineares e a variedade de cores é gigantesca.

 

Móveis interativos estimulam a criatividade, a individualidade e funções motoras dos pequenos

Para os pequenos, quesitos como luxo e estética impecável não estão sendo “avaliados”, mas sim a utilidade que aquilo pode ter. Justamente por não captar essa percepção, o nicho de mercado infantil ainda não é tão forte e diferenciado como poderia ser.

Esse design capaz de dialogar com a criança ganha ainda mais um ponto na visão de Cezar. Pouco tempo depois do surgimento da Ventina, em 2014, ele desenvolveu um banquinho interativo feito de um papelão moldável bastante resistente e leve – seu peso é de 700 gramas e a criança pode carregá-lo e desmontá-lo. Sua superfície traz desenhos e canetinhas para que a criança possa personalizar seu próprio móvel à sua maneira.

O que a criança ganha com isso? Segundo Cezar, a interatividade dos móveis estimula o desenvolvimento intelectual e a coordenação motora, além de auxiliar no reconhecimento de formas, na autonomia e fomentar a criatividade por meio do uso das cores. Ele ainda completa que é uma forma de tirar o design do lugar de algo supérfluo e fazer com que, desde cedo, o associe como uma ferramenta capaz de solucionar problemas.

A criança precisa ser protagonista do espaço onde vive

O maior cuidado de Cezar ao começar a desenhar uma nova peça é pensar na proposta da troca entre mobiliário e criança. “Se eu estou fazendo uma mesinha, com certeza vai ter um grau de interatividade com a criança capaz de acrescentar algum benefício em seu desenvolvimento”, diz.

O arquiteto se interessa em trazer novas possibilidades ao mobiliário infantil desde a faculdade. Lá, ele se aprofundou em didática e desenvolvimento infantil, principalmente sob o olhar do método Montessori, que incentivem a autonomia da criança, a tomada de decisões e o desenvolvimento intelectual a partir de técnicas de aprendizagem lúdicas.

Para Camila, a ideia é que a criança possa se apropriar do mobiliário e se sentir dona dele. Para isso, todo ambiente é montado na altura da criança, desde prateleiras até camas – essas últimas, no design da Maria Joaquina, ficam praticamente no chão. “A criança precisa conseguir se ver, então é importante que existam espelhos e que sejam colocados onde ela possa se enxergar”, explica.

O design útil não tem gênero

Quando a criança entrar no seu quarto, é importante que cada pedaço imprima sua personalidade para que ela se reconheça e associe aquele ambiente a um refúgio seguro e confortável. E por personalidade, leve em conta quais são os gostos e desejos da criança e respeite-os ao construir o espaço.

A Maria Joaquina é uma das marcas que aboliu a distinção de gênero com a ideia de que o mobiliário precisa corresponder a todos. O foco é a ludicidade e utilidade do móvel, e não se é para um “quarto de menino” ou “quarto de menina”. “A gente já tem dificuldades demais para separar o que é de menino e o que é de menina. Meus móveis são para todos”, diz.

A aposta é em móveis sustentáveis e que ensinem sobre consumo consciente

Do descarte consciente à reutilização de sobras, cada vez mais é importante saber os processos que englobam a produção dos produtos que consumimos – atualmente, esses são valores muito cobrados por empresas de muitos segmentos, seja no design ou fora dele. O papelão estrutural usado nos banquinhos da Ventina, além de permitir intervenções mais facilmente e por se destacar pela leveza, é uma matéria-prima sustentável e de reuso.

Ao optar por produtos que prezem pela sustentabilidade e prevenção dos recursos naturais, a criança aprende a importância de cobrar por esses mesmos valores ao longo da vida. É uma maneira de gerar importância e educa-la em relação a “problemas de gente grande”.

Cezar ainda aderiu à Ventina o conceito de design aberto. Em sua loja, os layouts dos banquinhos estão disponíveis para download gratuito. Assim, as famílias podem criar seu próprio material e fazer suas próprias adaptações, além de inserir os pequenos na modalidade do it yourself. É uma forma que o designer encontrou de quebrar barreiras geográficas para levar uma linguagem capaz de conversar com crianças de diversos lugares, onde quer que estejam.

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