INÁ Arquitetura | Rua Guarará, 565 - Jardim Paulista | São Paulo SP
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APARTAMENTO DO GUSTAVO E DO VINICIUS

Não há lugar melhor no mundo do que a nossa casa

A história que vamos contar agora é única da cabeça aos pés. O Gustavo nasceu em Santos e toda sua vida seguiu para o rumo da diplomacia – sempre soube que essa era uma vida de nômade, é preciso disposição para se locomover de um lugar para outro. Com seus vinte e poucos anos, começou a carreira em Brasília depois de passar em um concurso; lá, trabalhando em um hotel, estava o porto-alegrense Vinicius.

Depois de uma breve temporada morando juntos, ainda em solo nacional, Gustavo foi acionado para trabalhar em Nova York. Vinicius foi junto e, por três anos, os dois viveram entre os painéis luminosos da Time Square e àqueles arranha-céus gigantescos. A cada três meses, voltavam para o Brasil para duas semanas de férias e visitas à família. A estadia era no apartamento da irmã do diplomata, em São Paulo. E assim foi por uma década, com a diferença de que, de três em três anos, embarcam rumo a um novo país.

Mesmo com essa possibilidade de expandir os horizontes culturais e geográficos, os dois viam São Paulo como “seu lugar de origem”. Mas ao mesmo tempo sentiam falta de ter um canto físico onde pudessem voltar sempre que quisessem.
Garimparam a internet até encontrarem os 30 metros quadrados que fizeram seus corações saltarem. Integrado em um recente circuito arquitetônico que visa ocupar o centro histórico de São Paulo com construções artísticas, o Edifício Brasil, além de ficar pertinho da Praça Roosevelt e do circuito de passeios badalados da cidade, tem personalidade desde a casca: a fachada é assinada por Guto Requena e por Marcelo Rosenbaum e se ilumina entre tons de verde, azul e amarelo, remetendo às cores de uma arara. Ideal para reavivar a brasilidade dentro deles. Fecharam negócio.

Topamos o desafio de reformar o apartamento em um dos edifícios mais legais de São Paulo

De lá da Croácia, segundo destino internacional do casal, já estavam paquerando o INÁ – em poucos meses, eles eram amigos até do cozinheiro do Cava Bar, que fica embaixo do nosso QG. Nós adoramos a história dos dois e nossos olhares brilharam quando vimos surgir a oportunidade de ter no portfólio um apê assinado dentro do Edifício Brasil. Durante as muitas reuniões por Skype, que se estenderiam por um ano inteiro, percebemos o comprometimento dos dois com a vontade de ter uma morada totalmente fora da curva.

No primeiro momento, pensamos que a distância física entre nós e os clientes seria uma barreira; mas logo se mostrou apenas um detalhe. Conseguimos nos comunicar de forma tão efetiva do que com quem nos contrata pessoalmente e consegue acompanhar o passo a passo de perto. Confessamos que essa conexão virtual deu mais brilho à sinergia com os clientes e ao processo de planejamento.

Durante as curtas estadias dos dois em São Paulo, o INÁ começou a ocupar um horário na agenda. Cada encontro presencial era precioso porque, além de colocarmos o papo e a bebedeira em dia, acertávamos os detalhes com mais firmeza. Depois de oito meses do primeiro contato, eles bateram o martelo e nos deram liberdade para tirar o projeto do papel – foi incrível a confiança que os dois colocaram em nós. Essa distância – durante a obra, os dois partiam para outra estadia no Suriname – fez com que a gente cuidasse de tudo com carinho e atenção redobrados.

A construção do conceito de lar para quem está sempre longe

Ao contrário da maioria das reformas que a gente faz, não derrubamos nenhuma parede. O espaço já era reduzido e o desafio aqui era ocupar cada metro quadrado de forma responsável, sem carregar o ambiente, mas priorizando design e peças de bom gosto até na saboneteira do banheiro. Os clientes estavam sempre ao nosso lado, já que eram muito participativos e nos mandavam diversas referências por WhatsApp.

Para otimizar a circulação e a funcionalidade do espaço, optamos por adotar mobílias que poderiam ser utilizadas de diversas maneiras. Com o esquema sala-banheiro-cozinha, a cama ficou exposta. Também tiramos o limite da cozinha com a sala ao criarmos um módulo único de parede a parede, que pode ser usado como armário para guardar as roupas ou como outro banco. Mesmo assim, a casa não tem nada de intimista e é ideal para receber os amigos.

Os moradores não tiveram medo de encher o apartamento de cores

Já que a rotina é sempre fora, eles optaram por ousar. Os dois se permitiram escolher uma paleta de cores que fugisse do preto no branco e que criasse uma linguagem artística bastante singular. Apaixonados por design, o casal pediu para que criássemos um painel de azulejos cinza, que ajudou a complementar o módulo da cozinha/sofá. A brincadeira continua no sobretom da marcenaria e no uso dos ladrilhos hidráulicos no chão do banheiro, que recebeu pinceladas azuis.

O verde das penas de arara invadiu o tom das paredes da sacada, que emolduram a determinante visão que reafirma ainda mais o porquê da escolha deste apê – além do projeto ser novo e assinado. Do avarandado, os moradores têm uma visão exclusiva do centro histórico de São Paulo que contempla monumentos como o Edifício Itália, o Copan e o Banespa.

Ao longo dos meses de conexão virtual quase ininterrupta, os dois expressavam a vontade de ter um lugar fora da caixa que não existisse em nenhum outro lugar. Independente de onde estivessem ao redor do globo, queriam ter a certeza de que aconchego os receberiam para quando voltassem. Conseguimos entregar a eles as futuras memórias de um lar, que sempre estará à espera de seus moradores.